O Rectângulo
Thursday May 15th 2008, 11:05 pm
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Amigos, amores e desconhecidos,

Já lá vão umas semanas desde a minha última intervenção neste muro cibernáutico, onde novidades escaldantes e arrebatadoras deste país distante vão sendo gradualmente pintadas por estes dois humildes habitantes do Rectângulo.

Devo dizer-vos antes de mais que não é minha profunda intenção repetir o estilo da primeira mensagem por mim publicada. No entanto, para aqueles de vós que esperam ler mais um conjunto de linhas entupidas de ordinarice, vou-me desviar um bocadinho do alvo pretendido e fazer, em dois pontos, uma curta actualização dos temas então abordados. Assim:

1. Felizmente, já não tenho comichão no testículo esquerdo. O mesmo não se pode dizer do direito…

[Sou tão previsível, não sou?]

2. Quanto a Magdalena, posso dizer-vos que está bem. Bem boa!

[Se alguém souber quem tem os direitos de autor desta piada, avise-me, por favor, que eu pago a multa.]

Pois é, meus caros! Parece que a ordinarice na minha cabecinha já viveu melhores dias. Pronto! Perdido por cem, perdido por mil! Cá vai uma dica de engate para alguém que cá queira vir durante o Inverno:

Primeira abordagem – “Olá! Tudo bem? Estás boa (bom) ou não queres dizer?”

(…)

Fabricar a teia (enquanto esfrega as mãos) – «”C’onscafandro” e meio! Está cá um barbeiro!»

(…) 

Chamar a presa – “Sabes onde é que ouvi dizer que faz um calor dos diabos? Parece que é no Inferno.”

(…) 

Sugerir – “E eu contigo até pecava…”

Não têm de agradecer. Faço este tipo de serviço público por amor à camisola. De qualquer forma, ainda que aparentemente esta dica tenha todas as condições para ser bem sucedida, é meu dever informar-vos de que nunca foi testada. Quando tive esta luz o Inverno já tinha acabado.

Ora bem! Mas voltando então à rota inicialmente definida, o que quero mesmo é partilhar convosco um pequeno, simples e bonito episódio que vivi esta tarde, enquanto dava um dos meus giros pós-laborais pela cidade.

Após uma breve conversa com um colega português durante uma curta viagem de eléctrico, eis que decidi abandonar o meio de transporte na paragem imediatamente anterior a Brunnsparken, cujo nome de momento não me recordo.

[Brunnsparken é aquela zona onde fica o maior shopping da Escandinávia – o Nordstan. Não sei se estão a ver. Como quem vai lá para os lados da Avenida principal de Gotemburgo. :p]

Ouvindo a minha musiquinha e compenetrado nos meus intensos pensamentos (tais como, “o que é que se há-de fazer hoje p’ra janta?…espero que o Rui tenha alguma coisa em mente.”), senti um toque suave no braço esquerdo. Quando me virei, fui abordado por uma sueca que me perguntou se o que eu e o meu colega tínhamos falado no eléctrico era português. Pediu-me desculpa pela curiosidade, disse-me que adorava a língua portuguesa e que já tinha ido algumas vezes a Portugal. Pronto! Está-se mesmo a ver o que aconteceu a seguir, não é verdade?

[Pensa aí a rapaziada: “Levaste-a para Frölunda e provaste-lhe que, embora a língua portuguesa seja bonita, há momentos em que duas almas fingem esquecer palavras e se unificam como partes do mesmo novelo que o gatinho do amor, em brincadeira inocente, se encarregou de entrelaçar.”]

[Que bons amigos que eu tenho. Além de poetas, teimam em acreditar em mim.]

Bem! Eu conto! Sabendo de antemão que para uma sueca me abordar ou tem de estar embriagada ou na faixa etária dos 60, a senhora seguiu o seu caminho e eu segui o meu, feliz por saber que ainda existe neste Mundo gente civilizada que se deixa encantar pelo Rectângulo e por aquilo que de bonito nele se vive.

Beijos e abraços,

João 

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1 Comment so far
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Sim senhora abordado na rua por uma Sueca, seria só pela lingua que ela se interessou?

ahah
Eu contigo até pecava!

Comment by Joana 05.21.08 @ 10:17 pm



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